“Que seu alimento seja seu remédio, e que seu remédio seja sey alimento” | Hipócrates
Há mais de 2.400 anos Hipócrates disse essa frase e cada vez mais a ciência comprova a relação estreita entre hábito alimentar e a diminuição do risco de doenças crônicas e também da sua importância no tratamento das enfermidades.
O ato de voltar as atenções para os hábitos alimentares é algo que tem ganhado atenção nos últimos anos, portanto ressaltando a importância da agricultura na produção de alimentos livres de agrotóxicos.
Analisar a importância da produção orgânica, a nível mundial, para a saúde humana e para o meio ambiente, considerando as três dimensões da sustentabilidade: fatores econômicos, sociais e ambientais.
A produção orgânica traz benefícios a saúde, tanto humana quanto ambiental, promovendo a interação entre o homem, os animais e a natureza. Esse tipo de produção também resulta em alimentos mais resistentes, além de tornar o solo mais produtivo e fértil para safras futuras.
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. ”
(ARTIGO 225 – CONSTITUIÇÃO FEDERAL).
A preservação do meio ambiente está diretamente ligada com o cuidado de todos para com as coisas que nele existe. Os cidadãos devem estar sempre atentos para os perigos que as suas ações podem causar à natureza.O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu na segunda metade do século XX. Desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as necessidades de gerações futuras.Esse tipo de desenvolvimento abrange três dimensões (ambiental, econômica e social).
Desse modo, uma forma de desenvolvimento sustentável é a agroecologia, que relaciona ideias sobre agricultura sempre ligadas ao meio ambiente, levando em consideração a preservação do solo, a qualidade da produção e uma sustentabilidade ecológica. A agroecologia está ligada a ideia de produção orgânica, que prevê alimentos de qualidade e livres de agrotóxicos.
Porém, nem sempre esse tipo de produção segue as doutrinas de uma produção sustentável. O homem, com o intuito aumentar a produção dos alimentos cultivados, muitas vezes, faz uso de agrotóxicos. Esses produtos, também chamados de pesticidas ou veneno, são extremamente prejudiciais para o meio ambiente e para o próprio homem.
O fato do Brasil ser um país que possui uma vasta produtividade de lavoura contribui para que o mesmo seja um dos maiores compradores de agrotóxicos do mundo.
Durante a atividade de pulverização desses produtos nas plantações, ocorre uma dispersão dos mesmos no ambiente, podendo causar aos seres humanos e animais, intoxicação, já que até o simples fato de respirar torna-se um fator de risco. Esses produtos vêm causando danos agudos e crônicos a saúde, como doenças de pele, má formações de fetos, cânceres, desregulação endócrina, deficiência no sistema imunológico, entre outros problemas.
Já no meio ambiente, esses pesticidas têm acarretado em inúmeros transtornos e modificações, atingindo a flora, a fauna, a água, o solo entre muitos outros ecossistemas. A intensidade dessas alterações vai variar de acordo com o produto utilizado e com outros fatores comoquantidade e modo de aplicação, além do local onde está sendo pulverizado.
Levando em consideração os malefícios que os agrotóxicos podem causar, pode-se optar por um adubo orgânico, para que as plantas cresçam livres de produtos químicos. Esse tipo de adubo é conhecido como compostagem. Ela é uma forma de reciclar os resíduos orgânicos, que se forem descartados inadequadamente, podem ser prejudiciais aos humanos e aos diversos ecossistemas do planeta.
A agricultura orgânica, que faz uso de compostagem, surgiu na Inglaterra, em meados de 1925 a 1930. O uso desse tipo de adubo promove alimentos saudáveis, oriundos de uma produção livre de produtos químicos. A agricultura orgânica é considerada um sistema não-convencional e é baseada em princípios ecológicos. Esse tipo de sistema tem como finalidade utilizar os recursos naturais de forma sustentável e racional, podendo empregar tanto métodos tradicionais e tecnologias, desde que sejam ecológicas, para explorar a terra a ser cultivada.
Desta forma, a produção orgânica, além de oferecer produtos saudáveis e totalmente livres de pesticidas, também preserva a diversidade biológica, recicla resíduos orgânicos, promove o correto uso do solo e ainda desenvolve a sustentabilidade.
DICAS
Fazendo uma compostagem em casa
Para fazer a compostagem você precisará de:
- 3 caixas plásticas escuras: a primeira deve ter tampa, e duas delas devem ter pequenos furos para que a umidade passe entre as caixas
- Folhas secas, pequenos galhos e folhagem
- Minhocas
- Lixo orgânico (cascas de vegetais e frutas, casca de ovo, restos de vegetais etc.)
- Borra de café (ela facilita o processo da compostagem)
Comece o processo
- Forre a caixa com as folhas secas numa parte da caixa
- Coloque o lixo orgânico em cima
- Coloque a terra com as minhocas
- Coloque a borra de café
- Cubra com as folhas secas
- Depois desse primeiro passo, faça diariamente novos depósitos até preencher a caixa.
- Passe essa caixa para baixo e suba uma caixa vazia. Recomece o processo.
Após três semanas (em média), o húmus estará formado e pronto para ser usado em hortas, no quintal e em vasos de plantas ornamentais.
Na última caixa ficará acumulado um líquido escuro, resultado da decomposição orgânica. Ele é super nutritivo para plantas. Dilua uma parte desse líquido em dez partes de água. Coloque num borrifador e regue suas plantas.
Observações:
- Não use na compostagem carnes, laticínios, alimentos temperados.
- O processo de compostagem nunca termina. Vá alternando as caixas e retirando o húmus formado.
- Não é necessário regar, pois o lixo orgânico tem a própria umidade.
- Reúna toda a família neste processo. É uma forma prática de ensinar conceitos sustentáveis para seus filhos.

